
>> Texto publicado no informativo Pi do Centro Universitário UniCEUB, no 1º semestre de 2007.
O que estará reservado paras as velhas cédulas e moedas que circulam pelas mãos das pessoas do país afora?
Criadas para mediar o troca-troca de mercadorias, as cédulas e moedas dividem palco com cartões de crédito e o famoso débito em conta. São inúmeras as lojas de departamento e empresas que criam todos os dias "formas fáceis de pagamento" com carnês e cartões magnéticos. Hoje, nos grandes centros urbanos do Brasil, é possível encontrar máquinas de débito automático nas padarias da esquina ou lojas de conveniência, por mais simples que o estabelecimento seja. Nas feiras, como a Feira dos Importados de Brasília, a maioria das bancas são conveniadas para aceitar cartão de crédito.
"É muito fácil viver só com o cartão de débito no bolso. A maioria dos lugares aceita, e se não aceitam débito, aceitam crédito", é o que afirma Alisson Galvão, 25, funcionário dos Correios e adepto do débito em conta. "Acredito que no futuro as pessoas não irão mais usar cédulas, além de sujo, é perigoso!", acrescenta ele.
A cédula, apesar de prática e popular, apresenta problemas que saem caros ao governo. Em 473,6 milhões de cédulas de dois reais emitidas, o governo gasta R$ 947,2 milhões entre emissões e substituição de papel. Segundo informações do Banco Central, para cunhar uma cédula gasta-se dezenove centavos. "A cédula é feita para durar 14 meses, mas, infelizmente, na mão dos brasileiros ela só dura em torno de dois meses, pois muito têm o hábito de dobrar o dinheiro, amassar ou usá-lo como nota de recados", narra Verônica Cássia, 19, guia do Museu de Valores do Banco Central.
Nos países europeus, dos 8 bilhões de euros que circulam, metade tem que ser substituída a cada ano devido ao mal uso ou retenção em cofres domiciliares — segundo informações do European Cental Bank (ECB). Além dessa substituição o governo europeu emite 1,6 bilhões de novas cédulas ao ano para os países que adotam o novo sistema monetário. O que afirma que os gastos em manutenção e novas emissões não ocorrem apenas no país.
A moeda de metal sai a 25 centavos para o governo. Em compensação, ela é feita para durar 30 anos.
Um problema das moedas é a retenção em cofres infantis. "São feitas, todos os anos, campanhas para o uso de cédulas nos cofres, mas os resultados são muito pequenos", acrescenta Verônica. Em contradição às campanhas do Banco Central, a Caixa Econômica dá cofres em formato de porquinho para filhos de clientes na Campanha dos Poupançudos.
Outro problema do padrão monetário brasileiro é a falsificação. As cédulas mais falsificadas são as de R$ 50 e R$ 20. O governo, no mês passado, veiculou campanha intitulada "Quer ver se é real?", para esclarecer e tranqüilizar comerciantes. O medo dos comerciantes das cédulas serem falsas foi um dos motivos que fez com que as cédulas de plástico saíssem de circulação.
cédulas de plástico
Criadas em edição comemorativa, as cédulas de plástico não vingaram no país devido ao alto custo de fabricação (R$ 0,30), pois são feitas de polímero, material caro e proveniente do petróleo. Elas também não se adequaram ao clima quente do país e apresentaram grande aderência às outras cédulas de plástico. "Os comerciantes davam vinte reais de troco, quando queriam dar dez", afirma Jaqueline Souza, funcionária administrativa do Banco Central. Outro problema que despertou dúvidas quanto à falsificação foi o fato das cédulas descolorirem rápido e confundirem os lojistas.
Ainda não existem pesquisas voltadas para o fim do papel moeda. Mas com todos os problemas de manutenção das cédulas e a facilidade dos meios eletrônicos, a emissão caiu. Há dois anos não se emitem notas de um real e as de cem reais quase não são vistas em circulação, pois compras grandes também não são feitas em dinheiro.
ANA HELENA MELO