domingo, 28 de outubro de 2007

Álcool torna-se mais banal entre os jovens

“O alcoolismo é o conjunto de problemas relacionados ao consumo excessivo e prolongado do álcool; é entendido como o vício e grande ingestão e regular de bebidas alcoólicas, e todas as conseqüências decorrentes. Dos sintomas do alcoolimo, temos a dependência, a abstinência, o abuso, intoxicação por álcool (embriagueis).”
Se algum leitor se identificou com o perfil acima especificado, afirmado por José Luiz Ramalho, 34 anos, coordenador de um grupo dos Alcoólicos Anônimos de Sobradinho/DF e ex-alcoólatra, cuidado! O risco de um bebedor “social” tornar-se um alcoólatra é muito grande e quase imperceptível. São muitas as pessoas que transpassam esta barreira sem ver, ainda na adolescência, no intervalo entre as aulas da faculdade. O problema se camufla ou torna-se banal quando começa a ser chamada de “bebedor inveterado”, “o rei do bar”, “cliente fiel”, ou quando os amigos ao invés de tratar do problema do amigo alcoólatra o tratam apenas como “o pinguço”, ou “barriga de chop”.
“Os bares de Brasília vivem lotados! Isso não acontece muito nas outras cidades do Brasil que já conheci. Segunda-feira o bar tá lotado! Sábado você nem acha vaga.”, diz Tiara Almeida, 22, aluna do curso de Biologia do UniCeub e fã de refrigerantes em bares, que acrescenta, “Acho muito possível se divertir sem ingerir álcool, já meu namorado não pensa o mesmo”.
Para os donos dos bares essa “festa” toda é apenas um sinal de lucro. No bar Mont Sion, localizado na 210 norte, das 103 mesas que a casa possui , todas ficam lotadas nas quartas-feiras, dias de jogo de futebol. Em outros bares mais próximos das faculdades, como o Manara da 506 norte, o movimento de segunda a sexta chega a ser o mesmo do final de semana. E os freqüentadores? Todos na faixa de 18 a 35 anos.
O grande problema que o alcoolismo pode trazer é a irresponsabilidade. Dos jovens entrevistados, foram grandes as verdades encontradas, talvez pelo consumo já exagerado do álcool. “Eu bebo nos dias de jogo do Flamengo, Brasil e quando tem ensaios da banda”, afirma Hara Dessano, professor de Física, 24 anos, e baixista de uma banda de metal, que ainda registra mais. “Eu bebo de quarta a domingo, até fechar o bar.” E, quando perguntado sobre a direção quando alcoolizado ele responde:“Dirigo melhor quando estou bêbado”.

Ana Helena Melo

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